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As Subdivisoões do Espiritismo III

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Escrito por Leal Souza O espiritismo no Rio de Janeiro, como em toda parte, varia em modalidades, dividindo-se em ramificações.  Possuímos, nesta capital, centros ligados pela orientação e pelos ritos à tradição dos velhos tempos egípcios. Temos as diversidades das lojas teosóficas, a que faço, com simpatia, estas referências receosas, pelo dever de constatar-lhes a existência, pois muitos teosofistas não gostam de ser confundidos com os espíritas. Contam-se, também, institutos moldados com adaptações locais sobre antigos modelos indianos.  O espiritismo cientifico, com o rigor integral de suas pesquisas, é o menos cultivado na antiga capital do Brasil, certamente pelos pendores religiosos de nosso povo.  O kardecismo, que reputa os seus aderentes os únicos praticantes da doutrina, como a pregava Allan Kardec, igualmente varia, onímodo1, em seus processos e práticas. Há centros representativos da intransigente pureza do espiritualismo sem liga, e os há revestidos de altiv...

Kardec e o Preto-Velho

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Pouca gente sabe, mas numa das reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec evocou um Espírito que, segundo as terminologias da cultura brasileira, poderia ser classificado como um “preto velho”. Esse encontro, narrado pelo pró-prio Kardec nas páginas da sua histórica “Revista Espírita” (Revue Spirite), de junho de 1859, aconteceu na reunião do dia  25 de março  daquele mesmo ano. Pai César – este o nome do Espírito comunicante – havia desencarnado em  8 de fevereiro  também de 1859 com 138 anos de idade – segundo davam conta as notícias da época –, fato este que certamente chamou a atenção do Codificador, que logo se interessou em obter, da Espiritualidade, mais informações sobre o falecido, que havia encerrado a sua existência física perto de Covington, nos Estados Unidos. Pai César havia nascido na África e tinha sido levado para a Louisiana quando tinha apenas 15 anos. Antes de iniciar a sessão em que se faria presente Pai César,...

Elementais, os Espíritos da Natureza

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Na literatura ocultista, a mais compreensível e lúcida exposição sobre a pneumatologia oculta – ramo dedicado as substâncias espirituais — encontra-se no trabalho de Philippus Aureolus Paracelsus de Paracelso, príncipe do alquimistas e dos filósofos Herméticos, verdadeiro mestre do Segredo Real – A Pedra Filosofal e o Elixir da Vida. Paracelso acreditava que cada um dos quatro elementos primários conhecidos dos antigos — terra, fogo, ar e água, era constituído de um dois princípios: um sutil, vaporoso e metafísico; outro, de substância corporal grosseira e material. O Ar possui dois aspectos: sua natureza tangível, atmosférica, e sua natureza intangível, o substratum, a essência viva volátil que pode ser denominado Ar Espiritual ou, ainda, Espírito do Ar. O Fogo é visível e invisível, discernível e indiscernível: espiritual, flama etérea manifestando-se através da chama material, substancial. Seguindo a mesma analogia, a água é, ao mesmo tempo, um fluido denso e uma potência e...

A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual

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Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir. Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e de...

Esmola e Caridade

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Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados. Além dessa caridade, de ordem material, outra existe - a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e, não obstante, é a mais difícil de ser praticada. Exemplos? Eis alguns: Seríamos caridosos se, fazendo bom uso de nossas forças mentais, vibrássemos ou orássemos diariamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos. Seríamos caridosos se, em determinadas situações, nos fizéssemos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto disprezivo de quem se julgue superior a nós. Seríamos caridosos se, com sacrifício de nosso valioso tempo, fôssemos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo d...

Espiritismo e Mediunismo

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Muitos confundem o mediunismo em si com o Espiritismo, e a falta de um conhecimento mais profundo sobre o assunto, leva muitas pessoas a atribuírem ao Espiritismo codificado por Allan Kardec, práticas mediúnicas de natureza mística realizadas por outras religiões. O Espiritismo não criou a mediunidade, visto que esta foi registrada nas mais longínquas épocas da humanidade, por diversas civilizações e povos da antigüidade. Poderíamos mesmo afirmar, que Espiritismo e mediunismo são duas coisas tão distintas como água e vinho e que a parte científica do Espiritismo se propõe a estudar o fenômeno mediúnico e o seu aspecto evangélico visa discipliná-lo, canalizando-o para o bem. Através da história, podemos constatar que o Alto sempre procurou auxiliar o homem em sua jornada evolutiva através da mediunidade, e podemos verificar exemplos disso quando Moisés sobe ao Monte Sinai e recebe de Jeová os dez mandamentos, que eram dez regras para que um homem convivesse bem com o outro; ou quando Jo...

Os perigos do Espiritismo II

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II - Os perigos atribuídos ao espiritismo são mais aparentes do que reais. A perturbação ou desequilíbrio nervoso causado pelo receio de ver fantasmas desaparece com a freqüência às sessões, onde o trato com os desencarnados habitua as manifestações de sobrevivência da alma, repondo-as na ordem das coisas naturais. Mas as sessões nem sempre despertam aquele receio, e conforme a natureza da reunião, algumas, empolgando pela beleza ou surpreendendo pelo exotismo das cerimônias, não inspiram mesmo a quem as assiste pela primeira vez, idéia de morte, ou cemitério, pensamento em duende ou defunto. Em relação à loucura, não conheço um só caso determinado pela frequência de centros espíritas. Conheço, é exato e numeroso, os de loucos que, tendo sido levados as sessões, não ficaram curados e foram internados nos hospícios com sendo vitimas do espiritismo. Desprezaram-se, para isso, todos os antecedentes para dar realce, com ânimo combativo, ao efêmero contato desses doentes com os médiuns. ...