Nossa Senhora do Egito
02 de abril, festa de Nossa Senhora do Egito. Este título de Maria, Nossa Senhora do Egito, é uma variação do nome Desterro. Quando José e Maria levaram o menino Jesus ao Templo, o velho Simeão disse dele: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições. E uma espada transpassará a tua alma, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2,34-35).
Estas palavras penetraram bem fundo no coração de Maria, e ela as levou por toda a vida, tendo presentes os sofrimentos de seu filho divino, até o último suspiro na cruz.
Não demorou muito para começar o sofrimento. Após a adoração dos reis magos e as palavras do velho Simeão, São Mateus diz em seu evangelho: “Depois de sua partida [dos reis
magos] um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar’” (Mateus 2,13).
Supomos que imediatamente São José teria comunicado a Maria a ordem e sem perda de tempo fugiram. Não consta que ela tenha perguntado: para o Egito? Tão longe? Deixar o templo do Deus verdadeiro para um país pagão, dos ídolos? Que submeteu o povo israelita à escravidão? Nada importa! O que é preciso é salvar a vida do menino Deus.
Não há desânimo pelos incômodos de uma tal fuga: a longa distância, o caminho desconhecido e lamacento, o tempo invernal, com ventos neves e chuvas. Calcula-se que a caminhada tenha durado uns trinta dias!
A Sagrada Família habitou no Egito, em Matarieh ou Heliópolis, com muita pobreza. O presente dos magos, (ouro, incenso e mirra), de grande valor, que aliviaria em muito a aspereza da viagem, teriam deixado para os necessitados de Belém, não os levando consigo.
A permanência no Egito deve ter durado uns sete anos, como diz Santo Tomás de Aquino. Durante esse tempo, São José, com seu trabalho incansável de carpinteiro, sustentou Maria e Jesus menino.
Concluído o tempo do exílio, e morto Herodes, o anjo apareceu em sonhos a São José dizendo-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino” (Mateus 3,20).
Jesus já estaria com sete anos. Grande demais para viajar no colo de Maria e José, mas pequeno demais, também, para caminhar uma distância tão longa. Imagina-se o quanto sofreu a Sagrada Família.
No decorrer dos dias, as pessoas que se viam nas mesmas circunstâncias da Sagrada Família suplicavam à Mãe de Deus, lembrando-lhe as agruras passadas no Egito. Buscavam alívio e força para também suportar os sofrimentos decorrentes de inúmeras dificuldades que as conduziam a exílios injustos. Assim fazem os desamparados, os sem-terra, os excluídos pelos poderosos da terra.
Aprendamos de Maria exilada no Egito a abraçar as cruzes representadas pelos sofrimentos desta vida, porque sem elas não viveremos neste mundo!
Perpetuando a lembrança e o agradecimento pelos favores concedidos existem em várias partes do orbe capelas consagradas a Nossa Senhora do Egito.
Oração
Maria, senhora do desterro, assim como salvastes a vida ameaçada do menino Jesus, livrando-o da tirania do perverso Herodes, e enfrentastes as penúrias do exílio vivendo no Egito,
ajudai-me a suportar as contrariedades desta vida para saber fugir do pecado e dos pecadores que insistem em tirar a vida de Cristo.
Assisti-me com vosso auxílio na caminhada para a eternidade, a fim de que possa um dia na pátria dos bem-aventurados amar convosco nosso Salvador perseguido. Amém.
Nossa Senhora do Egito, rogai por nós!
Moisés Wagner

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